sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Doce espera!

Nove meses se passaram. Oito, desde que eu soube, no dia 1º de maio, que você estava dentro de mim... Foi muita emoção, misturada com a ansiedade de saber como você seria.
Aos quatro meses descobrimos que você é uma menina. Alegria em dobro, porque sua irmã sempre quis uma companheira para compartilhar a vida. Ela mesma escolheu seu nome e você ganhou uma identidade: Camila.
Agora estamos no advento de sua chegada. Esses últimos dias com você aqui dentro não tem sido fáceis, mas já sinto saudade de sermos uma coisa só.
Em breve, você ganhará espaço no mundo, vai crescer e ser independente. Mas assim como a sua irmã, continuará sendo uma só comigo, porque filho é algo que divinamente trazemos bem pertinho, dentro do coração.
Seja bem vinda Camila! Carol, papai e eu te amamos para sempre!!!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Ao meu amor!


O que fazer quando razão e coração insistem em não concordar?
Um é o que sente,
O outro que consente
Mesmo querendo negar!
Um é o que se enamora,
O outro é o que chora,
Por não poder segurar!
Tudo aconteceu assim:
Perdi-me no brilho dos seus olhos,
Na profundidade de seu olhar...
Na sinceridade de seu sorriso!
Foi exatamente assim!
Porque quando o coração é invadido assim....
pela paixão
A pessoa desejada
Torna-se o ser mais importante do mundo!
Toda beleza que não o contem
Deixa de ser belo
Todo encanto que não o possui
Deixa de ser mágico!

quarta-feira, 22 de maio de 2013



Já vivi muitas situações conflituosas. Desde criança sofro do mal do amor. Amo tanto que não consigo entender o não amor, ou as maneiras grosseiras de um jeito estranho de amar...
Na adolescência, esta foi minha maior dificuldade, o grande conflito do período mais contraditório da vida. Na juventude tornou-se um fardo enorme, que muitas vezes me impediu de ser o que realmente queria, ou fazer o que naturalmente gostaria.
Mas com a maturidade adquiri mais tolerância, um tanto de prudência e uma porção ainda maior de paciência. Mas com ela vieram também outras características, como um medo excessivo de perder a quem amo, a perda de algumas fantasias que pairavam sobre a minha mente e hoje deram lugar a mais pura realidade.
Cada um tem uma personalidade, uma característica própria, que pode ser ou não parecida com pessoas da família, ou com qualquer outra com quem se conviva por algum tempo. Mas é difícil quando você não aceita, quando abomina certas atitudes e não deseja, nem de longe, repetir as mesmas.
É muito fácil se machucar quando se ama. Porque a gente nunca espera viver uma decepção ou passar por constrangimento sem motivo. Mas isso acontece na hora em que você menos espera e através da pessoa que você mais gostaria de ter uma boa convivência.
Penso que viver o quarto mandamento deveria ser algo recíproco. Eu te respeito, mas também gostaria de ser respeitada e amada. Não quero e nem preciso mendigar o amor de alguém. Aliás, sei que sou amada, mas de uma maneira nem tanto convencional.

terça-feira, 26 de março de 2013

Quanto ganha um professor?



 Toda profissão tem seu valor. Todo trabalho é digno. Toda escolha traz consigo inúmeras consequências. 
A escolha da profissão pode ser uma decisão simples, se existirem boas oportunidades; ou difíceis, se estas forem escassas, quase como encontrar agulha no palheiro.
Uma coisa é certa, seja qual for a escolha, ou a situação em que se viva, é preciso ter muita responsabilidade e a certeza de que, mais que o dever cumprido, existe a consciência de cidadão, justo, honesto, que, embora errante, é capaz de recomeçar sempre.
Ser professor, por exemplo, é uma decisão importante. Porque educar é semear hoje, para colher Deus sabe quando!
Existe uma frase que diz que "a Educação não pode ser delegada somente a escola. O aluno é transitório. Filho é para sempre".
O grande desafio é que uma boa porcentagem dos pais não pensam assim e desta forma, sobra grande parte da formação do aluno aos educadores, que enfrentam, principalmente, crianças sem limites, adolescentes desinteressados, jovens sem objetivo na vida.
Alguns profissionais vivem a triste experiência da violência, física ou psicológica. Outro dia uma professora do primeiro ano, da primeira etapa do ensino fundamental, foi vítima de um incidente ocorrido dentro da sua sala de aula. O saldo dessa ocorrência foi um deslocamento de retina.
Aí encontramos várias situações misturadas, mas a principal delas é “uma tal” de inclusão, que poderia ser a melhor coisa desse mundo se alguns fatores fossem respeitados, como o número reduzido de alunos em sala de aula, profissionais preparados para trabalhar nesta área, material didático adequado e um espaço que não ofereça grandes riscos aos incluídos. 
Mas o que encontramos, na verdade, é uma “pseudo” inclusão. Salas superlotadas, professores despreparados, sem motivação e sem condições de ajudar, da maneira eficiente, a quem mais necessita.
Um aluno com deficiência visual (enxerga pouco), por exemplo, é alguém que precisa de atenção dobrada. Mas numa sala com 30 alunos? Porque ele não consegue enxergar o que está na lousa, não consegue, ao menos, ler o que está escrito com letras grandes e pretas numa folha branca. E o professor, não tem como ensiná-lo em braile, e também não consegue ensiná-lo com métodos tradicionais.
Outro que não consegue aprender, depende do professor para realizar suas atividades. Mas existem outros 24 para serem ajudados.
Trabalhar 30, 40 horas por semana é mais uma ilusão de quem escolhe esta profissão. Além do período na unidade escolar, muitas vezes, é preciso levar muitas tarefas para serem concluídas em casa.
E ainda tem político dizendo que professor ganha muito bem, porque trabalha só meio período para ter o salário que tem. Alguém ouviu dizer que algum professor ficou rico dando aulas em um só período? Mas nem se dobrarem, e a maioria dobra e se desdobra.
Político que fala isso, não merece voto, consideração, nem ser ouvido pelos eleitores. Aliás, com certeza, tal político não tem mãe professora, muito menos esposa, para sentir na pele a impaciência, o mal humor, a irritação, de uma professora ao retornar para casa. Porque é lá que ela pode extravasar, ser ela mesma! Porque é um trabalho que exige muita energia, autoconhecimento, autocontrole e muita, mas muita paciência.
Entretanto, é uma profissão encantadora! Ensinar, aprender, partilhar a vida, perceber que você pode colaborar para a formação de uma pessoa, que possui sentimentos, capacidade de amar, sentir raiva, acertar e errar. Não tem preço ver um sorriso sincero no rosto de uma criança, sua alegria depois de um elogio, ou de uma atividade lúdica que trouxe mais emoção na aprendizagem! Tudo isso é muito gratificante! É o que faz valer a pena todo esforço, todo cansaço do dia a dia! São estes os motivos que nos fazem acordar cedo, dormir tarde, lutar, correr contra o relógio! 
Professor ganha muito? Desafio qualquer político a viver um único dia na "pele" de um educador. Só assim poderá dizer quanto ganha um professor!





terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Ano novo, tempo de esperança!


          
           Ano novo; vida nova! Como é bom o cheiro de coisa nova! Carro novo, casa nova, roupa nova, tudo o que é novo tem um aspecto intacto, de coisa que nunca foi usada, pronta para ser só sua!
A chegada de um novo ano reacende esperanças, sonhos, expectativas, alegrias, mas, como tudo o que é novo, também pode provocar medo e insegurança.
Tem gente que gosta de iniciar um novo ano fazendo projetos. Algo que deseja mudar, fazer a viagem dos sonhos. Há quem faça propósitos em favor da própria saúde, do coração, do conhecimento ou da espiritualidade.
Tudo isso é muito significativo, mas não é o essencial. No saldo geral do ano que passou, é preciso analisar-se interiormente. Se houve mágoas, há necessidade de perdoar ou pedir perdão. Iniciar o ano novo com a alma limpa pode ser uma excelente escolha para quem quer começar, junto com ele, uma nova vida.
Quantas pessoas estavam junto de nós no início do ano que passou e não tiveram a chance de vê-lo chegar ao fim. Para eles, o ano terminou primeiro. E o que ficou? Bens e dinheiro? Projetos pessoais?
As boas obras é que ficaram, assim como o amor, o carinho partilhado com quem se ama, e acima de tudo, a certeza do dever cumprido. Esta é a lição maior que podemos tirar do velho, que nunca mais vai voltar.
Por outro lado, foram tantos recomeços! Nascimento de crianças tão esperadas, encontros com pessoas especiais, reencontros com outras que há tanto não víamos. Boas notícias que alegraram nossos dias e assim, tantas pequenas emoções que injetaram novo ânimo em nosso ano.
O ano de 2013 está só começando, e ainda está em tempo de fazer suas apostas. Mas lembre-se que cada dia é único. Não há tempo para rascunhos, só para aprendizagem! É preciso saber viver como se este fosse o momento mais importante da sua vida. Comece agora a fazer seus propósitos para este novo ano, e viva, intensamente, cada minuto!



terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Feliz Natal!!!

Eu gosto de escrever quando tenho vontade e não tenho medo de ser nostálgica, redundante, abundante em emoção e sentimento!
Hoje é natal! Há um ano atrás escrevi um texto neste mesmo espaço, expondo a alegria de ter comemorado o Natal em família. Ninguém vai negar que família é a coisa mais importante que existe! É nosso porto seguro, nossa base, alicerce. E muito mais: carinho, amor, doação. É a escola da generosidade, da reciprocidade!
No natal passado minha mãe, mulher iluminada, teve a grande ideia de convidar seus irmãos para o almoço de Natal. Minha tia havia descoberto um câncer maligno e a gente nunca sabe o que vai acontecer com a pessoa quando recebe uma notícia assim. Foi restaurador reunir todo mundo... Um encontro simples, mas repleto de significado! Ela estava bem, ainda tinha cabelo, o que movia sua vida era a esperança.
Um ano passou e o que era temido aconteceu: ela partiu. Partiu e levou consigo a certeza de que era muito amada! Partiu e deixou uma saudade imensa! Foi impossível não lembrar daquele dia em que a incerteza alimentava nossa vontade de acreditar que haveria cura! Houve cura! Porque lá aonde ela está não existe dor, lágrimas, sofrimento!
Este ano nosso natal foi diferente, ao lado de pessoas diferentes, mas não menos familiar. Oramos juntos, desejamos coisas boas uns para os outros, rimos, com vontade chorar, e choramos baixinho, para que ninguém percebesse a emoção contida por saber que alguém que amamos não pode comemorar o natal como gostaria!
Quando eu olho para os meus, e percebo que posso tocá-los, abraçá-los, sorri-los... vejo como é grande o amor e a misericórdia de Deus!
É gratificante comemorar o nascimento de Jesus e perceber que a luz que emana do mistério da sua encarnação, faz brotar algo novo dentro de nós. Olhar para o Deus-menino, tão frágil e tão soberano, nos permite conhecer a grandeza de Deus que não nos abandona em nenhum momento da vida, nem mesmo quando perdemos a quem amamos.
Hoje é natal! E muitos outros natais virão... E eles trarão lembranças alegres e tristes, e serão importantes, porque continuarão marcando a nossa vida! 
Feliz natal a todos! Feliz vida que se renova! Feliz dia que marca mais uma página da história da nossa vida!

sábado, 15 de dezembro de 2012

Encontro de corações



"Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieto e agitado: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... " (O Pequeno Príncipe)


Como controlar a ansiedade em meio a tantos bons momentos que ainda virão nos próximos dias?
Fico imaginando como será o momento do encontro entre amigos que não se veem há um tempão! Ou, pelo menos, não se veem, como bons amigos. Porque uma coisa é você encontrar-se com o outro, conversar sobre coisas, pessoas, o tempo... outra coisa é você olhar nos olhos e ver-se no outro. Encarar o que há de melhor e pior em você e nele. Aí penso tantas coisas... palavras, gestos, mas acho que as palavras morrerão no abraço, no sorriso, na alegria do reencontro.
E quanto mais o tempo passar, quanto mais a hora for chegando, mais o coração vai se enchendo dessa paz inquieta.
Jesus também teve bons amigos. Um deles até se achava "o discípulo amado". Não que ele tivesse preferências, mas vivia entre pessoas com quem tinha "afinidade"!
O amigo de verdade é para sempre mesmo... 
Quantas vezes acreditamos que a amizade era duradoura, mas bastaram anos de separarão para provar que era passageiro, coleguismo apenas, companheirismo momentâneo...
E quando tem aquela pessoa que você nem quer mais ouvir falar, que de tão amigo, revelou segredos preciosos e perdeu a chance de estar ao seu lado.
Também tem aquele que é como um irmão... Conhece tanto você, qualidades e defeitos, e mesmo assim, continua ao seu lado...
A amizade verdadeira se prova no tempo, no espaço! Os dias passam, as horas voam, os anos terminam e começam... e ele continua ali! E aquela conversa, fica apagada, até que a chama do amor a traga de volta e aqueça de novo os corações!
2012 vai terminar assim! Será um encontro de corações! 


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Um dia na padaria


Andando pela cidade é possível encontrar uma diversidade de situações, mas é preciso observar cuidadosamente para perceber o que está nas entrelinhas...
Dia desses entrei na padaria com minha filha de 3 anos e 10 meses. Passamos pela porta estreita e uma criança de aproximadamente 10 anos entrou empurrando a gente, seguida de sua mãe e seu irmão mais novo. Eram pessoas simples. Eles se aproximaram do balcão repleto de doces e bolos de encher os olhos de qualquer um. A mãe perguntava à menina:
_ Qual é o bolo que você viu?
A menina apontava para uma torta de chocolate linda! Ela tinha uma cobertura enfeitada com fatias de chocolate, especialmente colocados em cima, e outros detalhes em dourado. A mãe, após ouvir a filha, solicita à atendente uma fatia do bolo escolhido.
_ Moça, dá um pedaço deste bolo aqui!
A moça atrás do balcão observa que existem outros dois bolos já fatiados para venda e diz para a mãe que não poderia começar outro, já que havia dois a disposição dos clientes. Além do mais, um dos bolos já cortados era idêntico ao que a garota queria.
_ Olha moça, eu já fui em outra padaria, mas ela não queria nenhum bolo de lá. Desde que ela viu este aqui, é só o que ela quer.
A vendedora chamou a nutricionista da empresa. Faltava energia no estabelecimento naquela hora. A outra então começou a ouvir o que a mãe dizia, já com a voz alterada:
_ Minha filha está doente de vontade de comer este bolo aqui, e eu só quero você corte um pedaço! Agora uma criança vai morrer de vontade de comer um pedaço de bolo só porque você não quer contar ele?
A nutricionista ouviu tudo atentamente, e com muito cuidado e delicadeza argumentou:
_ Minha senhora, nós entendemos que sua filha está com vontade de comer o bolo, e nós não estamos negando isso para ela. Só que aqui nós também seguimos ordens e fomos instruídas a iniciar somente dois bolos por dia. Espero que a senhora entenda. Este outro bolo é igualzinha ao que ela quer, só que já está começado!
A mãe então se acalma e convence a filha de que o que a moça dizia era verdade, os bolos eram iguais!
Comprei o meu pão e ainda comprei um sorvete para a minha criança! A vontade era de comprar o bolo inteiro para a criança. A mãe pediu só uma fatiazinha para a menina, pois o doce custava caro. 
Comecei a pensar quantas vezes por dia isso acontece naquela padaria. Crianças descalças que olham e desejam aquela verdadeira gostosura!
Fiquei com a aquela imagem na minha mente. Talvez pela situação gerada entre as funcionárias da padaria e os clientes que aguardavam atendimento, enquanto tudo se resolvia. Talvez pelo menino, pois o pedaço do bolo era muito pequeno para os dois? Não fiquei lá para ver se ele queria outro doce ou se iria repartir com a irmã aquele mísero pedaço.Talvez por pensar naquelas duas crianças e em tantas outras desejosas de apenas uma fatia de bolo de chocolate. Ou então pela insistência da mãe, que queria fazer a vontade da filha. Ou ainda pela sabedoria da atendente, que buscou resolver o problema com educação e simplicidade.
Ética e profissionalismo são qualidades admiráveis em qualquer profissão. É preciso olhar para as outras pessoas com carinho, sem ofender. Admiro quem trabalha no comércio, porque tem que estar sempre sorrindo para agradar aos clientes, e ainda suportar momentos de verdadeira humilhação. 


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Caminhos...


Dirigir é uma habilidade comum, porém, não tão simples... Eu sou do tipo motorista estressada. Estou procurando melhorar, mas às vezes eu me esqueço disso! Considero-me uma boa motorista, sem falsa modéstia.
Não gosto de perder tempo entre um percurso e outro. Mas tem gente que insiste em passear, como se ninguém mais precisasse circular pela cidade. Outro dia tinha alguém andando a menos de 20 km/h e não era carro da auto-escola. E pior, andava pelo lado esquerdo da rua. Assim fica difícil!
Sem contar com aqueles que param no meio da rua, não dão seta e ainda colocam a mão para fora do carro indicando que você pode passar. Ou então, param para pedir informações ou simplesmente para conversar com alguém na esquina. Isso me estressa bastante, porque se eu não notar que ele simplesmente parou, e bater na sua traseira, serei eu a culpada do acidente! Antes eu ousava buzinar, mas agora eu paro e penso que é fácil dirigir aqui.
Outro dia fomos a São Paulo. Ninguém precisa dizer que lá o trânsito é O caus! Apesar de ser sábado, havia muitos carros circulando...
Meu pai sempre dizia que para dirigir em São Paulo é preciso ter muito olhos. E se você errar uma entrada, errou todo o caminho, porque até chegar ao retorno... E depois até encontrar a saída dele... Perde-se tempo, dinheiro, paciência, etc.
Voltando à viagem.. Neste dia, escolhemos o caminho errado. Andamos até o retorno, e isso demorou quase meia-hora para encontrá-lo. Para encontrar a saída do retorno, mais uma quinze minutos. Por fim, chegamos ao destino, que não era tão longe, quase uma hora depois!
Eu fiquei pensando sobre isso... A vida é cheia de caminhos, bifurcações, entradas e saídas, túneis, rodovias, ruas sem asfalto, com asfalto, esburacadas...
Pode acontecer de você entrar pelo túnel errado, ou ainda escolher o lado errado da bifurcação. Se perder entre as entradas da vida e acabar chegando em lugar nenhum. Mas da mesma forma como na rodovia, ou nas grandes cidades, alguns metros a frente, pode haverá retorno. Pode demorar a voltar, mas ele existe. Portanto, chegar ao destino é uma questão de tempo. Se você não ficar atento, pode perder o caminho de volta, mas ele estará sempre lá!
Voltar para Deus é assim! Você pensa que precisa escolher outros caminhos, que precisa conhecer outros destinos... até que percebe que tudo o que você realmente precisava era encontrar o retorno e voltar para os braços do Pai!


sábado, 24 de novembro de 2012

ÓCULOS DA ALMA


Eu sempre ouvi dizer que com o avanço da idade algumas coisas começam a retroceder no corpo humano.
Algumas células deixar de se renovar e morrem, os cabelos branqueiam, começam a aparecer diversos problemas de saúde. Doenças, para dizer a verdade. Para evitá-las, ou minimizar o seu poder sobre esse casco humano, é preciso tomar certas precauções, como evitar alguns tipos de alimentos, não ter vícios e praticar atividade física regular. Tudo bem até aí. Mas e a visão? Visão de todas as formas possíveis de se imaginar.
Primeiro a visão física! Os olhos... 
Desde a adolescência eu via como minha irmã sofria com a miopia. Não conseguia ver de longe. Letras, pessoas, placas, tudo! Precisava do auxílio do bom e velho óculos.
Meus pais também começaram a sofrer desse mau. Só que o problema deles era no braço. O braço estava curto demais para a visão, não conseguiam ver de longe. Para resolver, tomar posse do bom e velho óculos!
Já eu, sempre me gabei da boa visão. Minha capacidade visual era invejável. Era solicitada para ler bula de remédios, manual de instrução de aparelhos eletrônicos, letras minúsculas que ninguém conseguia ver, mas eu via. Às  vezes, forçava um pouco, mas não conseguia imaginar o que seria a vida sem esta visão fantástica!
O tempo passou e, apesar de não ser tão velha assim, comecei a perceber uma pequena deficiência na minha eficiente arte de enxergar! 
Algumas vezes ouvi pessoas que sofriam de miopia dizerem que sem os óculos, não conseguiam distinguir as pessoas. Outras ainda, que diziam que viam os outros como se fossem árvores que se mexiam.
Eu vejo muito bem as pessoas. Às vezes não as distingo de longe, mas vejo que são gente, não árvores ambulantes. Mas já as letras... Elas se embaralham na minha frente de tal maneira que nem sei. Hoje eu precisava da minha maravilhosa habilidade em ler placas de trânsito, mas eu não conseguia enxergar a longa/média distância. Não levei os óculos. Esse negócio de andar de óculos me incomoda um pouco. 
Mas, voltando ao assunto das mudanças de visão, penso também na visão espiritual, íntima, profunda, da vida e das pessoas!
Olhar para as pessoas como seres limitados, cheios de pecados, assim como eu, mas também com grandes qualidades e capacidade de amar...
Penso em algumas coisas que vale a pene ressaltar. Como uma mulher e um homem que desejam, mais do que tudo nesta vida, serem pais e encontram tantas limitações físicas para isso... Ver nestes filhos amados de Deus um desejo que é natural da vida, que foi o próprio Deus quem nos deu, para continuar a sua maravilhosa obra de criação, com dificuldades de poder realizar seu sonho!
Penso também nas ausências da vida. Aceitar a morte, ou conviver sem aquela presença preciosa. Ter um olhar misericordioso por aquela filha que perdeu a mãe, e com ela a ternura, a grandeza de uma mulher maravilhosa. E ainda, ao consolar, dizer coisas que nem sei... É fácil falar da morte, quando não é alguém tão próxima, tão querida, tão amada. A única visão que podemos ter sobre isso, é acerca da fé!
São tantas outras visões da vida. Olhares que não se limitam no que está a poucos metros de distância. Olhar para o infinito... e enxergar ali uma ponta de esperança, uma chance de ser feliz, um meio de conviver!
Talvez a alma também esteja precisando de óculos, porque tem tanta coisa que ainda não consigo enxergar direito. Mas esta correção vem com a vida, com a maturidade. Todo mundo passa por isso. É preciso saber aproveitar as oportunidades.



quarta-feira, 14 de novembro de 2012


PAZ!

Não sei como intitular esse grupo ou esse momento em que vivemos, vou chamar somente de "nosso encontro de oração". 
Nosso primeiro encontro de oração e partilha foi um delicioso momento de paz interior. Não houve espaço para melancolias, ou outro sentimento que não fosse a felicidade do reencontro. Reencontro entre amigos, mas muito mais, reencontro com Deus. Não que nós o tivéssemos deixado, mas muitas barreiras foram crescendo entre nós e a oração. 
O mais interessante é que temos um olhar no passado, nas coisas boas que vivemos. Também naquilo que encaramos como falta de maturidade e despreparo. Não conseguíamos enxergar onde estávamos nos equivocando. Mas foi o próprio Paulo quem disse que "...Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como sou conhecido eu mesmo..." (I Cor. 13,12)
Cada etapa da vida é norteada por momentos de cegueira ou escuridão. Mas também pode ser preenchida pela Luz Divina, e onde ela entra, faz sua morada, ilumina e transforma vidas.
Nossa oração começou tímida, mas Deus foi conduzindo, através de canções tão lindas, que foi difícil conseguir cantar. O coração não batia, parecia querer saltar para fora. Algumas barreiras rompidas e a paz dos anjos invadiu o local onde estávamos. Não precisamos mais do que 40 ou 50 minutos.
Uma partilha honesta e ao mesmo tempo suave. Participar sem cobranças, livremente. Ufa, demorou! 
Por hoje foi só, mas deixou um gostinho de quero mais! 
Como é bom olhar para aqueles rostos risonhos, aqueles olhos brilhantes e sedentos... "— Minha alma desfalece de saudades e anseia pelos átrios do Senhor! Meu coração e minha carne rejubilam e exultam de alegria no Deus vivo!" (Salmo 83,3)
Como é bom para irmãos viverem juntos e poderem partilhar as maravilhas de Deus! É bom orar sozinho, faz bem ao coração, traz sintonia com Deus. Mas orar em comunidade é muito mais edificante. 
Agradeço a Deus pelo despertar de cada coração! A Ele toda honra e toda glória, amém!



sábado, 13 de outubro de 2012

Marcas do tempo

A gente passa a vida inteira tentando ouvir verdades que nunca foram ditas
Dizer palavras que ficaram escondidas
Mas tem palavra que custa a sair, tem verdades que custam a acontecer
Talvez por respeito humano, medo ou incerteza...
A vida não costuma dar outra chance, é preciso saber aproveitar o momento
São tantas as nossas possibilidades, que fica difícil escolher
Mas quando a escolha é feita, não dá para retroceder
É preciso seguir em frente, sem medo de ser feliz ou infeliz
É como o vento que leva tudo que encontra pelo caminho
Mas não devolve depois...
A gente passa a vida toda tentando compreender os rumos que a vida toma
E depois que está tudo certinho, cada coisa em seu lugar,
As palavras que antes estavam guardadas no fundo do baú, 
Vêm à tona e embaralham a mente da gente!
Pensar: por que não foram ditas antes? Bobagem! Não teriam sido!
O que não era, não será também...
O rio corre... a vida passa... os dias passam...
A gente passa por eles e nem percebe que eles vão somando marcas em nosso corpo
Marcas do tempo, do vento, do espaço entre o passado, o presente e o futuro!



sexta-feira, 12 de outubro de 2012


     Remexendo os arquivos

                    Estava mexendo em arquivos antigos e encontrei escritos lindos, de fatos que já nem me lembrava mais. Entre eles, escolhi este. Resolvi arquivar aqui, no caso de perder os originais.
                    Tudo o que se quer conquistar na vida exige tempo e algum esforço, principalmente se for referente á carreira profissional. 
                    Mas o importante mesmo é não deixar passar as graças que recebemos em cada momento da vida.
                    Sempre observo como a vida é dura com algumas pessoas e tão fácil com outras... Alguns jovens entram no mercado de trabalho ainda crianças. Deixam de brincar muito cedo, perdem suas ilusões, entram para o mundo real e descobrem o valor da vida. Ainda esses dias pude observar dois garotinhos, e peço permissão para apresentá-los: Lucas, de 15 anos e Jonas, de 12.
                    O primeiro, encontrei na prefeitura, vendendo salgado de setor em setor. Perguntei-lhe seu nome e sua idade e ele me disse que é o mais velho de sete irmãos, sendo que sua mãe tem pouco mais de 30 anos. Tudo o que ele ganha, entrega nas mãos dela, e dá para tirar uns R$ 8,00 por dia, se a venda for boa. Ele estuda, mas está condenado a nunca mais possuir a ilusão de ser criança, de brincar despreocupado, de pedir presentes absurdos, de preços elevados, só porque viu na vitrine da loja ou na casa do vizinho rico. Ele sabe quanto custa o pão francês e que não dá para brincar debaixo do chuveiro porque a luz e a água estão custando o “zoio da cara”.
                    Já o outro, um pouco mais jovem, passa suas noites pelas ruas de Jacarezinho engraxando sapato. Quando o vi logo me lembrei de um amigo que quando criança também tinha este mesmo ofício. Ele oferecia uma engraxada, mas todo mundo estava de tênis. Então pedia uma moedinha, para comprar um cachorro quente ou mesmo uma pulseirinha na barraquinha da dona Maria, coisas de moleque. Da mesma forma que com Lucas, comecei a investigar o pequeno Jonas (nome de profeta e de padre!). Ele mora em Santo Antonio da Platina e viaja, de ônibus, toda noite para Jacarezinho ganhar um dinheiro para ajudar o pai no sustento da família. Perguntei-lhe se sua mãe sabia que fazia isso, ele disse que sim, que ela o apoiava, pois ele precisava ajudar em casa. Disse-me também que está na escola, cursa a sétima série do primeiro grau e sempre tira boas notas. Depois de conversarmos um pouco, deixe-lhe a única nota de R$ 1,00 que tinha e pude notar como ficou feliz. Eu não tinha sapado para ser engraxado. Depois o observei lustrando o sapado de um colega do outro lado. Ele não tinha preguiça, estava lá para trabalhar, tinha levar uma grana para casa. Tenho visto o pequeno Jonas todos os dias com seu caixote de engraxate nas escadarias da Faculdade: “Vai uma engraxadinha aí? Uma moedinha pra mim, dona?”